Dourados, 26 de Fevereiro de 2026

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Taxa turística de Bonito: revolta e prejuízo ao turismo
Taxa turística de Bonito: revolta e prejuízo ao turismo
Taxa turística de Bonito: revolta e prejuízo ao turismo

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A taxa turística de Bonito gerou uma reação imediata de empresários, moradores e operadores do setor, que classificam a medida como arbitrária e potencialmente danosa para a retomada do turismo local.

Impacto imediato da taxa turística de Bonito

A Prefeitura anunciou a criação da Taxa de Conservação Ambiental (TCA), a ser cobrada a partir de 20 de dezembro no valor de R$ 15,00 por dia/pessoa. A imposição via decreto, sem amplo debate público, provocou cancelamentos em massa e agravou um cenário econômico já fragilizado. Em novembro de 2025 as agências reportaram sequência de cancelamentos — famílias e grupos turísticos desistiram de reservas ao se depararem com um custo adicional inesperado.

Casos e repercussão

Entre relatos de balcões de agências, destaque para uma família de sete pessoas que cancelou pacote de Réveillon alegando que não pagaria “a conta da ineficiência pública”. Visitantes recorrentes também afirmaram que deixariam de voltar ao município por sentirem-se explorados. O efeito conjunto é uma perda de confiança do consumidor e retração nas vendas de pacotes, hospedagem e passeios.

Por que a taxa turística de Bonito é contestada

A contestação da taxa turística de Bonito segue três eixos principais:

  • Legalidade: Juristas lembram que cobranças municipais configuradas como taxa exigem a contraprestação de um serviço público específico. Cobrar pelo simples acesso à cidade sem um serviço diretamente vinculado pode ser considerado inconstitucional, argumento já utilizado para derrubar cobranças semelhantes em outras localidades.
  • Transparência e momento político: A TCA foi anunciada pouco depois da deflagração da Operação “Águas Turvas” (MPMS), que investigou desvio de R$ 4,3 milhões e fraudes em licitações. A proximidade temporal alimenta suspeitas sobre se os recursos seriam efetivamente destinados à conservação ambiental ou para cobrir rombos orçamentários.
  • Impacto socioeconômico: A taxa pressiona o turismo de classe média e familiar, segmento essencial para a economia local. A elevação do custo dos pacotes pode elitizar o destino e reduzir a circulação de visitantes que abastecem comércio, serviços e mão de obra locais.

Questões ambientais e responsabilidade

Críticos apontam uma aparente contradição: enquanto turistas são taxados sob o argumento de preservação, o poder público tem sido acusado de falhas na fiscalização de atividades que realmente afetam os cursos d’água — como desmatamento e drenagem de banhados pela agricultura — fatores citados como responsáveis pelo turvamento de rios e degradação ambiental. A discussão desloca o foco da cobrança para a necessidade de políticas públicas de fiscalização ambiental e incentivo à restauração e monitoramento das áreas protegidas.

Operação “Águas Turvas” e a perda de confiança

A Operação “Águas Turvas”, deflagrada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul em outubro de 2025, tornou público esquema de corrupção com desvio de R$ 4,3 milhões, fraudes em licitações e vazamento de informações privilegiadas envolvendo agentes públicos. Esse contexto aumentou a desconfiança sobre a real destinação dos recursos arrecadados pela TCA, favorecendo a mobilização contra a taxa.

Reações do mercado e do poder público

O setor turístico convocou ações de pressão sobre o Legislativo municipal para exigir a revogação da TCA ou a apresentação de um plano de aplicação transparente e auditável dos recursos. Do outro lado, a Prefeitura justificou a cobrança como mecanismo de preservação ambiental e manutenção da infraestrutura turística, mas ainda não detalhou mecanismos independentes de prestação de contas que pudessem acalmar o trade e os visitantes.

Possíveis desdobramentos legais e políticos

Diante das críticas, há caminhos administrativos e judiciais possíveis: ações populares, pedidos de suspensão em tribunais e, politicamente, mobilização pelo Legislativo municipal que poderá votar pela revogação do decreto. A experiência recente de recuos frente à pressão pública — citada em outros contextos econômicos — indica que a taxa pode sofrer alterações ou ser revogada se a mobilização se mantiver coordenada e baseada em argumentos jurídicos sólidos.

Consequências econômicas e alternativas

A manutenção da taxa turística de Bonito, sem garantias de transparência, tende a prolongar a crise do setor, com perda de empregos formais e informais, diminuição de receita para restaurantes, guias e hospedagem. Alternativas sugeridas pelo trade incluem: implementação de mecanismos de fiscalização ambiental financiados por acordos com proprietários de atrativos, taxas vinculadas a serviços específicos (como manutenção de trilhas ou gerenciamento de resíduos) e criação de conselhos gestores com participação da sociedade civil para acompanhar a aplicação dos recursos.

Conclusão

A taxa turística de Bonito cruzou a linha entre preservação e controvérsia política. A resposta imediata de cancelamentos e mobilização social demonstra que qualquer medida tributária imposta a destinos turísticos precisa de legitimidade, transparência e absoluta clareza sobre a destinação dos recursos. Sem isso, o risco é perder visitantes e comprometer a economia local, ao mesmo tempo em que a confiança pública nas instituições municipais continua fragilizada.

Essa matéria usou como fonte uma matéria do site DiarioMSNews

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